EP028

O reinado mais curto da história durou 20 minutos

A História Mais X, 69 segundos

Isso é verdade?

  • O reinado mais curto da história durou vinte minutos

    Disputado

    Há dois candidatos e nenhum é oficialmente reconhecido. Em Portugal, o príncipe real Luís Filipe sobreviveu cerca de vinte minutos ao pai, Carlos I, morto no atentado de 1 de fevereiro de 1908 — pela linha de sucessão, foi rei nesse intervalo. Na França, o delfim Luís Antônio, duque de Angoulême, tornou-se rei no papel quando Carlos X abdicou em 2 de agosto de 1830, e assinou a própria abdicação cerca de vinte minutos depois, no mesmo documento.

  • Luís Filipe foi rei de Portugal

    Disputado

    Alguns historiadores o contam como Luís II; o Guinness World Records registra o caso como Dom Luís III. Mas a lei portuguesa só reconhecia como rei quem fosse aclamado pelo parlamento, e ele morreu antes disso — por isso quase nenhuma lista oficial de monarcas portugueses o inclui, e o reinado de Manuel II é datado de 1 de fevereiro de 1908.

  • Luís XIX foi rei da França

    Disputado

    Os legitimistas o consideraram o rei legítimo pelo resto da vida. Outras leituras sustentam que ele nunca reinou de fato, já que a abdicação do pai e a sua constavam do mesmo documento e ele jamais exerceu o poder.

O que aconteceu

Em 1 de fevereiro de 1908, em Lisboa, dois membros da Carbonária dispararam contra a família real portuguesa, que voltava de Vila Viçosa. O rei Carlos I morreu na hora; seu filho, o príncipe real Luís Filipe, ferido de morte, resistiu cerca de vinte minutos. Pela linha de sucessão, foi rei nesse intervalo — alguns historiadores o contam como Luís II, enquanto o Guinness World Records registra o caso como Luís III. Quase nenhuma lista oficial de monarcas portugueses o inclui, porque a lei do país só reconhecia como rei quem fosse aclamado pelo parlamento, e não houve tempo. O trono passou ao irmão mais novo, Manuel II, último rei de Portugal. O outro candidato ao recorde é francês: em 2 de agosto de 1830, Carlos X abdicou sob pressão da Revolução de Julho, o que fez do delfim Luís Antônio, duque de Angoulême, rei no papel — e ele assinou a própria abdicação cerca de vinte minutos depois, no mesmo documento. Ficou conhecido como Luís XIX, e também se discute se chegou a reinar.

A ficha completa deste episódio, com a bibliografia e a procedência de cada imagem: https://curtaahistoria.com.br/ep/EP028

O detalhe que fecha a história

O detalhe que fecha a história: nem o nome do recordista é consenso. A Wikipédia registra que alguns historiadores contam Luís Filipe como Luís II; o Guinness World Records o lista como Dom Luís III. E a lei portuguesa só reconhecia como rei quem fosse aclamado pelo parlamento — o que nunca aconteceu, porque ele morreu vinte minutos depois do pai. Para você, vinte minutos de sucessão contam como reinado? 👀 A ficha completa deste episódio, com a bibliografia e a procedência de cada imagem: https://curtaahistoria.com.br/ep/EP028

As imagens, e de onde vieram

20 pranchas. Todas em domínio público ou Creative Commons, com autoria registrada — é o mesmo material que aparece no vídeo.

Créditos e licenças

Atribuição exigida pelas licenças das imagens e da trilha, como consta no arquivo de publicação do episódio.

Música: "Lightless Dawn" Kevin MacLeod (incompetech.com), CC BY 4.0

Fontes

  1. Wikipédia EN (Luís Filipe, Prince Royal of Portugal)
  2. Wikipédia EN (Manuel II of Portugal)
  3. Guinness World Records (Shortest reign ever)
  4. Mental Floss (10 of History's Shortest-Serving World Leaders)
  5. History Facts (The shortest reign of any monarch lasted just 20 minutes)

Material

Notas de produção (6)
  1. Não existe um recordista pacífico, e o episódio é sobre isso. O roteiro não escolhe entre Luís Filipe e Luís XIX: apresenta os dois e diz que nenhum é oficialmente reconhecido.
  2. O nome regnal do príncipe português é divergente nas fontes. A Wikipédia em inglês registra "Luís II" como sugestão de alguns historiadores; o Guinness World Records usa "Dom Luís III". O roteiro cita as duas versões e a divergência, em vez de escolher uma.
  3. A lei portuguesa é o argumento contrário mais forte: só era rei quem fosse aclamado pelo parlamento. Por isso quase nenhuma lista oficial o inclui, e o reinado de Manuel II é datado de 1 de fevereiro de 1908.
  4. No caso francês, a duração dos "vinte minutos" é uma leitura do documento. Carlos X e o delfim assinaram a abdicação no mesmo ato, com cerca de vinte minutos entre as assinaturas. Os legitimistas consideraram Luís XIX rei pelo resto da vida; outras leituras dizem que ele nunca reinou de fato.
  5. Não encontrei fonte acadêmica que classifique nenhuma das duas versões como mito. O que as fontes dizem é que são casos técnicos e contestados — e é assim que o roteiro os trata.
  6. A cena 3 mostra a família real portuguesa em fotografia de época, não o atentado. Não há no Commons imagem livre e utilizável do regicídio; a ficha pública diz o que cada imagem é.
As palavras exatas do vídeo

O reinado mais curto da história durou vinte minutos. O problema é que ninguém concorda sobre quem foi o rei. Primeiro de fevereiro de mil novecentos e oito. Lisboa. A família real volta de viagem numa carruagem aberta. Dois homens atiram. O rei Carlos Primeiro morre na hora. O filho, Luís Filipe, fica ferido de morte. E resiste vinte minutos. Nesses vinte minutos, pela linha de sucessão, ele era rei de Portugal. Alguns historiadores o chamam de Luís Segundo. O Guinness o chama de Luís Terceiro. As listas oficiais de reis não incluem nenhum dos dois nomes. A lei portuguesa só reconhecia rei aclamado pelo parlamento. E não deu tempo. Agora o outro candidato. Dois de agosto de mil oitocentos e trinta. França. Carlos Décimo abdica, empurrado pela revolução. O filho vira rei no papel. E assina a própria abdicação vinte minutos depois. No mesmo documento. Ele ficou conhecido como Luís Dezenove. E também se discute se chegou a reinar. Dois reinados de vinte minutos. Nenhum dos dois reconhecido oficialmente. O recorde existe. O recordista é que não. Comenta qual dos dois você acha que conta. Nesta série, ainda vem: o ano em que setembro perdeu onze dias. Segue o @curtaahistoria.

Ver mais no canal

Um episódio novo por semana, de 40 a 80 segundos, nas quatro plataformas.

Anterior: A guerra em que as armas eram garrafas de bebida