O relógio de pulso já foi considerado "coisa de mulher"
Origens Inesperadas, 74 segundos
Isso é verdade?
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O relógio de pulso já foi considerado coisa de mulher
Verdadeiro
Está documentado em fonte de época. O Albuquerque Journal, do Novo México, escreveu em maio de 1914 que "o sujeito que usa relógio de pulso é frequentemente suspeito de ter renda na roupa de baixo e de trançar o cabelo à noite". Em 1921 a própria indústria reconheceu, no boletim Minutes da Waltham Watch Company, que os relógios de pulso "eram ridicularizados na América como adequados apenas a homens efeminados e mulheres de opinião forte".
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Foi a Primeira Guerra que tornou o relógio de pulso aceitável para homens
Verdadeiro
Na trincheira o relógio de bolso era inviável: sincronizar um bombardeio de artilharia exige uma mão livre. Os exércitos passaram a distribuir relógios de pulso, apelidados de trench watches, e os soldados voltaram usando-os. O Tulsa World registrou em 23 de abril de 1919: "a guerra tornou o mundo seguro para homens que usam relógio de pulso" — trocadilho com o discurso de Woodrow Wilson sobre tornar o mundo seguro para a democracia.
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Cartier inventou o relógio de pulso para Santos-Dumont
Impreciso
Louis Cartier fez em 1904 um relógio de pulso para Alberto Santos-Dumont, que não conseguia consultar o relógio de bolso pilotando — e esse é um dos primeiros relógios de pulso feitos para homem e um dos primeiros de aviador. Mas não é o primeiro relógio de pulso: Breguet fez um para a rainha Carolina Murat em 1810, e a Girard-Perregaux afirma ter fornecido relógios de pulso à Marinha alemã em 1880, embora sem evidência fotográfica.
O que aconteceu
No começo do século XX, homem de respeito usava relógio de bolso preso por corrente. O de pulso era joia feminina — e quem usava virava piada. O Albuquerque Journal, do Novo México, escreveu em maio de 1914 que "o sujeito que usa relógio de pulso é frequentemente suspeito de ter renda na roupa de baixo e de trançar o cabelo à noite". Em 1904, Alberto Santos-Dumont já tinha pedido a Louis Cartier um relógio que desse para ler sem tirar as mãos dos comandos do avião — e ganhou um dos primeiros relógios de pulso feitos para homem. Mas quem virou o jogo foi a Primeira Guerra: na trincheira era impossível sincronizar um bombardeio de artilharia segurando um relógio de bolso, e os exércitos passaram a distribuir relógios de pulso, apelidados de "trench watches". Em 1921 a própria indústria relojoeira reconheceu por escrito, no boletim Minutes da Waltham Watch Company, que os relógios de pulso "eram ridicularizados na América como adequados apenas a homens efeminados e mulheres de opinião forte". Dois anos antes, o Tulsa World já havia decretado: "a guerra tornou o mundo seguro para homens que usam relógio de pulso".
O detalhe que fecha a história
O detalhe que fecha a história: a frase do Tulsa World em 1919 — 'a guerra tornou o mundo seguro para homens que usam relógio de pulso' — é uma piada com o discurso de Woodrow Wilson, que dizia que os Estados Unidos entraram na guerra para 'tornar o mundo seguro para a democracia'. Ou seja: em 1919 já dava para brincar com o assunto, porque a disputa tinha acabado. Você usa relógio no pulso hoje? 👀
As imagens, e de onde vieram
21 pranchas. Todas em domínio público ou Creative Commons, com autoria registrada — é o mesmo material que aparece no vídeo.
OlEnglishCC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
ZeigerpaarCC BY-SA 3.0 · via Wikimedia Commons
ZeigerpaarCC BY-SA 3.0 · via Wikimedia Commons
Rosser1954CC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
PHGCOMCC BY-SA 3.0 · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
OlEnglishCC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
Zaida Ben-Yusuf / Adam CuerdenPublic domain · via Wikimedia Commons
Zaida Ben-Yusuf / Adam CuerdenPublic domain · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
Banco Central do BrasilPublic domain · via Wikimedia Commons
John Warwick BrookePublic domain · via Wikimedia Commons
John Warwick BrookePublic domain · via Wikimedia Commons
Royal Engineers No 1 Printing Company.Public domain · via Wikimedia Commons
Ernest BrooksPublic domain · via Wikimedia Commons
Museums Victoria Collections, Taryn EllisCC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
ZeigerpaarCC BY-SA 3.0 · via Wikimedia Commons
ZeigerpaarCC BY-SA 3.0 · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
Museums Victoria Collections, Taryn EllisCC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
OlEnglishCC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
Créditos e licenças
Atribuição exigida pelas licenças das imagens e da trilha, como consta no arquivo de publicação do episódio.
Música: "Lightless Dawn" Kevin MacLeod (incompetech.com), CC BY 4.0
Fontes
- Albuquerque Journal (maio de 1914)
- Tulsa World (23 de abril de 1919)
- Waltham Watch Company — boletim "Minutes" (1921)
- The New York Times (1916)
- Wikipédia EN (Trench watch)
- Sotheby's (The Essential Guide to the Cartier Santos)
Material
Notas de produção (4)
- Cartier NÃO inventou o relógio de pulso. O Santos de 1904 é um dos primeiros feitos *para homem*, e um dos primeiros relógios de aviador — não o primeiro relógio de pulso. Breguet fez um para a rainha Carolina Murat em 1810, e a Girard-Perregaux afirma ter fornecido relógios de pulso à Marinha alemã em 1880 (sem evidência fotográfica). O roteiro diz apenas que "Cartier faz um de pulso para ele", que é o que se sustenta.
- As citações são literais e datadas, e estão nas fontes acima: Albuquerque Journal (maio de 1914), Waltham "Minutes" (1921) e Tulsa World (23/04/1919). A tradução é livre, mas o sentido é o do original.
- As imagens de jornal são genéricas, de época — não são os jornais citados. Não há no Wikimedia Commons, em resolução utilizável, a página do Albuquerque Journal de 1914 nem a do Tulsa World de 1919. Em vez de mostrar um jornal e nomear outro, o vídeo usa imagens de jornaleiros e bancas da época, e a citação exata aparece como texto na tela. A ficha pública diz o que cada imagem é.
- Não há foto livre do Cartier Santos de 1904. A cena correspondente mostra Santos-Dumont numa cédula brasileira, ao lado do 14-bis. A ficha pública registra isso.
As palavras exatas do vídeo
O relógio de pulso já foi coisa de mulher. Homem que usava um virava piada. Começo do século vinte. Homem sério usa relógio de bolso, preso por corrente. O de pulso é joia. Enfeite de madame. Mil novecentos e quatorze. Um jornal do Novo México escreve: quem usa relógio de pulso é suspeito de ter renda na roupa de baixo. E de trançar o cabelo à noite. Só que um brasileiro já tinha resolvido isso. Alberto Santos-Dumont reclama com Louis Cartier. Não dá para pilotar e puxar o relógio do bolso. Cartier faz um de pulso para ele. Mil novecentos e quatro. Mas quem vira o jogo é a guerra. Trincheira. O soldado precisa de uma mão livre. Sincronizar um bombardeio segurando o relógio é impossível. Os exércitos passam a distribuir relógios de pulso. O apelido pega: relógio de trincheira. Mil novecentos e vinte e um. A própria indústria relojoeira admite por escrito. Eram ridicularizados como coisa de homem efeminado. Dois anos antes, um jornal de Oklahoma decretou o fim da piada. A guerra tornou o mundo seguro para homens de relógio de pulso. Você olha a hora no pulso por causa de uma trincheira. Comenta aí. No próximo: o Brasil teve um presidente negro em mil novecentos e nove. Segue o @curtaahistoria.
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