"A cobra vai fumar" nasceu de um deboche contra o Brasil
Brasil que Ninguém Conta, 73 segundos
Isso é verdade?
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A expressão "a cobra vai fumar" nasceu na Segunda Guerra Mundial
Verdadeiro
A frase circulava como descrença de que o Brasil fosse mesmo entrar na guerra — "é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra". A Força Expedicionária Brasileira inverteu o deboche e adotou uma cobra verde fumando cachimbo como distintivo, usado no ombro. Os pracinhas escreviam "a cobra está fumando" nos próprios morteiros.
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O Brasil não chegou a combater de verdade na Segunda Guerra
Falso
Cerca de 25 mil brasileiros serviram na campanha da Itália entre setembro de 1944 e maio de 1945. O Brasil foi o único país sul-americano independente a enviar tropas de combate ao exterior. Em Monte Castello foram quatro ataques fracassados antes de o morro cair, em 21 de fevereiro de 1945. O monumento de Pistoia, na Itália, guarda 465 nomes.
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O Brasil entrou na guerra porque submarinos alemães afundaram navios brasileiros
Verdadeiro
Em agosto de 1942 o submarino U-507 afundou cinco navios brasileiros de cabotagem entre a Bahia e Sergipe em menos de 72 horas, matando 607 pessoas, a maioria civis. A notícia saiu em 18 de agosto e provocou manifestações; o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália em 22 de agosto de 1942.
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Morreram cerca de 450 brasileiros na Segunda Guerra
Impreciso
Depende do que se conta. O monumento de Pistoia reúne 465 nomes — 457 da FEB e 8 pilotos da FAB —, que são os mortos da campanha da Itália. Números bem maiores que circulam incluem as perdas no Atlântico, entre marinha de guerra, marinha mercante e civis em navios torpedeados, que são outra conta.
O que aconteceu
Em agosto de 1942 o submarino alemão U-507 afundou cinco navios brasileiros em menos de setenta e duas horas, matando 607 pessoas — a maioria civis. O Brasil declarou guerra em 22 de agosto. Mas quase ninguém acreditava que o país fosse mesmo lutar, e corria a frase: "é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra". O Exército pegou o deboche e o vestiu: o distintivo da Força Expedicionária Brasileira virou uma cobra verde fumando cachimbo, no ombro de cada soldado. Cerca de 25 mil homens embarcaram para a Itália — o Brasil foi o único país sul-americano independente a enviar tropas de combate ao exterior na Segunda Guerra. Em Monte Castello, quatro ataques fracassaram antes de o morro cair, em 21 de fevereiro de 1945. Os pracinhas escreviam nos morteiros: "a cobra está fumando". O monumento de Pistoia, na Itália, guarda 465 nomes.
O detalhe que fecha a história
O detalhe que fecha a história: depois que Monte Castello caiu, os pracinhas passaram a escrever à mão nos próprios morteiros a frase que tinha sido usada para rir deles — 'a cobra está fumando'. O deboche virou assinatura. Você já tinha usado essa expressão sabendo de onde ela veio? 👀
As imagens, e de onde vieram
21 pranchas. Todas em domínio público ou Creative Commons, com autoria registrada — é o mesmo material que aparece no vídeo.
Government of BrazilPublic domain · via Wikimedia Commons
Signal Corps Archive from Ireland and United StatesPublic domain · via Wikimedia Commons
Autoria não registradaPublic domain · via Wikimedia Commons
Companhia de Navegação Lloyd BrasileiroPublic domain · via Wikimedia Commons
The original uploader was Palmeira at English Wikipedia.Public domain · via Wikimedia Commons
T/Sgt. Joseph Shere, U.S. Army Signal CorpsPublic domain · via Wikimedia Commons
Autoria não registradaPublic domain · via Wikimedia Commons
Wied, MaximilianPublic domain · via Wikimedia Commons
Marinha do BrasilCC BY-SA 2.0 · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
Government of BrazilPublic domain · via Wikimedia Commons
GlaucongaleanoCC BY-SA 4.0 · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
Força Expedicionária BrasileiraPublic domain · via Wikimedia Commons
Autoria não registradaPublic domain · via Wikimedia Commons
Signal Corps Archive from United StatesPublic domain · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
Fundo Agência NacionalPublic domain · via Wikimedia Commons
Unknown authorUnknown authorPublic domain · via Wikimedia Commons
Giovanni BaldiniCC BY 3.0 · via Wikimedia Commons
DerekdvertinoPublic domain · via Wikimedia Commons
Créditos e licenças
Atribuição exigida pelas licenças das imagens e da trilha, como consta no arquivo de publicação do episódio.
Música: "Lightless Dawn" Kevin MacLeod (incompetech.com), CC BY 4.0
Fontes
- Wikipédia (A cobra vai fumar)
- Wikipédia EN (Brazilian Expeditionary Force)
- Wikipédia EN (Battle of Monte Castello)
- Encyclopedia.com (Brazilian Expeditionary Force)
- Museu Virtual da FEB (Exército Brasileiro)
- Monumento Votivo Militar Brasileiro de Pistoia
Material
Notas de produção (5)
- O número de mortos da FEB varia conforme o que se conta. O monumento de Pistoia reúne 465 nomes (457 da FEB e 8 pilotos da FAB). Números maiores que circulam — 948, por exemplo — incluem as perdas da Marinha e da marinha mercante no Atlântico, que são outra conta. O roteiro usa o número do monumento, que é concreto e conferível no local.
- O efetivo enviado também varia por fonte: 25.334 (Encyclopedia.com) e ~25.900 (Wikipédia EN). O roteiro diz "vinte e cinco mil", que as duas sustentam.
- Quem disse a frase primeiro não está documentado. As fontes registram que ela circulava como descrença popular e que a FEB a inverteu; nenhuma nomeia um autor. O roteiro nunca atribui a frase a ninguém — diz "a frase que corre por aí", que é o que se pode afirmar.
- A cena 3 mostra um submarino Tipo IX, não o U-507 em si. O U-507 era um Tipo IXC — mesma classe —, mas a única foto dele no Commons tem 178 pixels e ficaria ilegível no vídeo. Trocado por legibilidade, conforme a regra do projeto, e registrado na procedência da ficha pública.
- A cena 5 mostra sobreviventes de um naufrágio por torpedeamento na Segunda Guerra, não dos navios brasileiros. Não há foto em domínio público dos sobreviventes do Baependi em resolução utilizável. A legenda da ficha pública diz exatamente o que a imagem é.
As palavras exatas do vídeo
"A cobra vai fumar." Você usa essa frase. Ela nasceu de um deboche. Contra o Brasil. Agosto de 1942. Um submarino alemão afunda cinco navios brasileiros. Em menos de setenta e duas horas. Seiscentas e sete pessoas morrem. Civis, famílias inteiras. O Brasil declara guerra. Mas ninguém acredita que o país vá lutar de verdade. A frase que corre por aí é essa: é mais fácil uma cobra fumar... do que o Brasil entrar na guerra. Só que o Exército pega o deboche. E veste. O distintivo da Força Expedicionária vira uma cobra verde. Fumando cachimbo. No ombro de cada soldado. Vinte e cinco mil homens embarcam para a Itália. Único país da América do Sul a mandar tropa de combate. Inverno de 1944. Monte Castello. Quatro ataques ao morro. Quatro fracassos. Neve, artilharia alemã, e brasileiros vindos do calor. Vinte e um de fevereiro de 1945. O quinto ataque. Monte Castello cai. Nos morteiros, os pracinhas escrevem à mão: a cobra está fumando. Em Pistoia, na Itália, um monumento guarda os nomes. Quatrocentos e sessenta e cinco. Esses não voltaram. A cobra fumou mesmo. E a frase ficou. Comenta se você sabia. No próximo: a Biblioteca de Alexandria não queimou de uma vez. Segue o @curtaahistoria.
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